Iniciamos o encontro com a dinâmica das “Pérolas são feridas curadas”
“Uma ostra que não foi ferida não produz pérolas”…
Pérolas são produtos da dor;
resultados da entrada de uma substância estranha ou indesejável no interior da ostra,
como um parasita ou um grão de areia.
Na parte interna da concha é encontrada uma substância lustrosa chamada NÁCAR.
Quando um grão de areia a penetra,
as células do NÁCAR começam a trabalhar
e cobrem o grão de areia com camadas e mais camadas,
para proteger o corpo indefeso da ostra.
Como resultado, uma linda pérola vai se formando.
Uma ostra que não foi ferida,
de algum modo, não produz pérolas,
pois a pérola é uma ferida cicatrizada…
Você já se sentiu ferido pelas palavras rudes de alguém?
Já foi acusado de ter dito coisas que não disse?
Suas idéias já foram rejeitadas, ou mal interpretadas?
Você já sofreu os duros golpes do preconceito?
Já recebeu o troco da indiferença?
ENTÃO, PRODUZA UMA PÉROLA!!!
Cubra suas mágoas com várias camadas de amor
Pérolas são produtos da dor;
resultados da entrada de uma substância estranha ou indesejável no interior da ostra,
como um parasita ou um grão de areia.
Na parte interna da concha é encontrada uma substância lustrosa chamada NÁCAR.
Quando um grão de areia a penetra,
as células do NÁCAR começam a trabalhar
e cobrem o grão de areia com camadas e mais camadas,
para proteger o corpo indefeso da ostra.
Como resultado, uma linda pérola vai se formando.
Uma ostra que não foi ferida,
de algum modo, não produz pérolas,
pois a pérola é uma ferida cicatrizada…
Você já se sentiu ferido pelas palavras rudes de alguém?
Já foi acusado de ter dito coisas que não disse?
Suas idéias já foram rejeitadas, ou mal interpretadas?
Você já sofreu os duros golpes do preconceito?
Já recebeu o troco da indiferença?
ENTÃO, PRODUZA UMA PÉROLA!!!
Cubra suas mágoas com várias camadas de amor
Em seguida passamos para o “Diário de Bordo” .
Trabalhamos com a Literatura Infantil: "Deu rato na biblioteca" - Maria Célia Madureira e Raquel Gonçalves Ferreira

Assim, passamos a sistematização do fascículo 4:
Trabalhamos com a Literatura Infantil: "Deu rato na biblioteca" - Maria Célia Madureira e Raquel Gonçalves Ferreira

Assim, passamos a sistematização do fascículo 4:
Organização e Uso da Biblioteca Escolar e das Salas de Leitura
Fascículo 4
Fascículo 4
Desde muito pequena, o mundo das letras me encanta. Adorava quando minha mãe atendia meu pedido: “Mãe, conta uma histolinha pa’ mim”, e lia para mim ou me embalava, antes de dormir, com suas histórias. Eram histórias que minha imaginação acompanhava com prazer, construindo um sentimento especial de ser criança. Eram histórias que me embalavam como uma canção de ninar, semeando em meu campo conceitual o início de meu processo de letramento. Era um processo de oralidade baseado em construções que minha mãe fazia, retirado dos livros de histórias e que eram reconstruídas a partir de seu entendimento, em um processo de descobertas.
Meus pais sempre procuravam motivos para contar histórias. Lembro-me da velha cadeira de balanço aos pés do fogão de lenha e das divertidas histórias de meu pai. Lembro-me das noites contempladas com biscoitos fritos e das muitas histórias escutadas no silêncio da noite, à luz de uma lamparina, pois naquela época ainda não tínhamos luz elétrica, e eu nem ao menos sabia o que era televisão.
Márcia Gondim
Biblioteca Escolar
Unidade I
Unidade I


Reflexões






Paulo Freire (em palestra)




Cecília Meireles
• Interesse pela infância e pela educação.
• Inaugurou a primeira biblioteca infantil na década de 30, no bairro Botafogo, Rio de Janeiro com seções de livros, enciclopédias, coleções, miniaturas, folclore infantil (tudo o que pudesse interessar ao pequenos leitores e pudessem se movimentar com liberdade e prazer).
• Criou momento programado para leitura, pesquisa e entretenimento.




Der Name der Rose (br / pt: O nome da rosa) é um filme dirigido por Jean-Jacques Annaud baseado no romance homônimo do crítico literário italiano Umberto Eco.
Nesta obra, o primeiro romance do autor, publicada na Itália em 1980, e no Brasil em 1983, Eco utilizou um roteiro policial, no estilo do inglês Arthur Conan Doyle, que prende fortemente a atenção do leitor. Sucesso em várias línguas, foi levada para as telas em 1986, atingindo um público ainda maior. A expressão "o nome da rosa" foi utilizada na Idade Média, significando o infinito poder das palavras. A rosa subsiste por seu nome, apenas; mesmo que não esteja presente e nem sequer exista. A "rosa de então", centro real deste romance, é a biblioteca de um antigo convento beneditino, na qual estavam guardados, em grande número, códices preciosos: parte importante da sabedoria grega e latina que os monges católicos conservaram através dos séculos.
Reflexões sobre a organização e os usos da biblioteca e das salas de leitura









“Experiência constrói-se : aprendizagem social e cultural”
Livros grossos ou finos? Com figuras ou sem figuras?
• O que está por traz da visão de livro (fino ou grosso) é uma concepção limitada de criança (como se ela evoluísse por estágios previamente definidos).
• Visão equivocada dos catálogos das editoras.
• Laurence Hallewell- aborda livros editados para crianças nos anos 80.
• Lógica de mercado: quanto mais se fragmenta a criança mais o mercado cresce.
Criança é um ser de cultura, que, ao se relacionar com o mundo, aprende nos intercâmbios com seus pares e é capaz de modificá-lo; dotado de lógica singular, consegue ir além do desenvolvimento alcançado em um dado momento.
E as escolas que não possuem bibliotecas? (sugestões)
• Professor (em consonância com a direção escolar) encontrar um meio de formar um acervo.
• Procurar livros em bibliotecas públicas, ou mesmo fazer uma visita monitorada em uma delas, onde os alunos pudessem fazer cadastros e pegar livros emprestados.
• Formar um acervo da classe por meio de doações da comunidade, campanhas ou gincanas, ressaltando a importância dos livros para a escola e para a comunidade. (outros suportes: jornais, revistas, gibis, materiais de propaganda e livros produzidos pelas próprias crianças).
• Os livros ou os materiais de leitura podem se guardados em caixas de papelão ou malas (organizados por assunto).
• Além de serem utilizados em sala de aula podem ser emprestados.
• 110 títulos distribuídos pela MEC em 2000 – Programa Nacional Biblioteca na Escola (textos contemporâneos até clássicos e manual de atividades- Histórias e Histórias).


Os suportes dos textos na formação do leitor
• Lidamos com a leitura o tempo todo: fazemos parte de uma sociedade grafocêntrica.
• Escrita constituída das mais diversas atividades do nosso dia-a-dia (muros outdoors, camisetas, papéis, cartões, livros, livrinhos e livrões – diferentes suportes de textos)
• Pedra, papiros e pergaminhos – suportes de textos utilizados com a mesma função.
• Até meados do século V dC, os textos eram publicados em forma de rolo.
• Manuseio do rolo diferente do manuseio do livro.
• Formato e publicação interfere na forma de como o leitor lida com o texto, como manuseia, como escolhe o lugar onde vai ler o livro.
• Os formatos dos livros nos transmitem informações importantes a respeito sua destinação.
Os suportes dos textos na formação do leitor
• Lidamos com a leitura o tempo todo: fazemos parte de uma sociedade grafocêntrica.
• Escrita constituída das mais diversas atividades do nosso dia-a-dia (muros outdoors, camisetas, papéis, cartões, livros, livrinhos e livrões – diferentes suportes de textos)
• Pedra, papiros e pergaminhos – suportes de textos utilizados com a mesma função.
• Até meados do século V dC, os textos eram publicados em forma de rolo.
• Manuseio do rolo diferente do manuseio do livro.
• Formato e publicação interfere na forma de como o leitor lida com o texto, como manuseia, como escolhe o lugar onde vai ler o livro.
• Os formatos dos livros nos transmitem informações importantes a respeito sua destinação.
A ilustração dos livros infanto-juvenis
















“As aventuras de Perceval - um cavalheiro da corte do Rei Arthur”
Atividade de leitura: Leitura: uma prática social na escola- Unidade II



























































Unidade III - Uso do Dicionário na escola
Durante a rodinha a professora apresentou um coelho (de pano) e as crianças deram a ele o nome de Pernalonga. Fizeram um crachá com o nome dele e combinaram que ele participaria de todas as atividades propostas. Cada criança iria levá-lo para casa e trazê-lo no dia seguinte, para trabalhar as questões de comprometimento, responsabilidade, parceria com as famílias, linguagem oral e escrita. Surgiu, então o questionamento sobre quem seria o primeiro. A professora aproveitou a oportunidade para sugerir que fosse por ordem alfabética. Assim, a partir desse dia, as crianças passaram a analisar a primeira ou a segunda letra dos nomes ou o primeiro e o segunda nome.
(Protocolo encontrado na Monografia:
Desejo e Prazer : Autonomia de Aprender –
Construindo o processo de letramento PIE/UNB/SEEDF
Márcia Regina Alves Gondim, 2002)
Unidade III - Uso do Dicionário na escola










Atividades de Análise








REFERÊNCIAS



Trabalhamos com o vídeo : O Nome da Rosa” e refletimos sobre o conhecimento na Idade Média e o acesso às bibliotecas.
Trabalhamos com a entrevista de Roberto Carlos Ramos com a pergunta: “Como a leitura chegou em minha vida?” Refletimos sobre concepções de uma Pedagogia Culturalmente sensível.
"Você, moleque, com certeza vai ser bandido!" Essa foi a frase que o mineiro Roberto Carlos Ramos mais ouviu na infância. Negro, pobre, abandonado, analfabeto até os 13 anos e um dos campeões de fuga da Febem de Belo Horizonte, tudo levava a crer que o vaticínio se concretizaria. Sua ficha na instituição o definia com uma única palavra: irrecuperável. No entanto, o acaso encarregou-se de inverter os ponteiros da lógica rasteira. Roberto Carlos, hoje com 34 anos, é um exemplo de sucesso na vida profissional e pessoal. Não, nada a ver com montanhas de dinheiro e carrões de luxo. Pedagogo com mestrado na Universidade Estadual de Campinas, ele é um dos mais requisitados palestrantes do país. Pós-graduado em literatura infantil, Roberto Carlos também é um contador de histórias profissional, daqueles capazes de prender a atenção de uma criança hiperativa por horas a fio. Para completar, está prestes a esculpir no bloco duro e frio da realidade seu maior sonho. Foi convidado pelo estilista Carlos Miéle, dono da grife de roupas M. Officer, para coordenar um projeto de educação de crianças carentes em várias capitais do Brasil.
Caçula de uma prole de dez filhos, Roberto Carlos foi enviado à Febem com 6 anos. Ao longo dos sete que passou lá, fugiu exatas 132 vezes. Aos 9 anos, conhecido como "Beto Pivete", já cometia pequenos furtos. Cheirava cola de sapateiro e fumava maconha diariamente. Foi na sala de readmissão da Febem que o acaso o colheu, sob a figura da pedagoga francesa Marguerit Duvas. De férias no Brasil, ela conheceu Roberto Carlos enquanto visitava a instituição. Intrigada e encantada com o garoto vivaz e indomável, ela transformou seu período de descanso numa longa estada e conseguiu a sua guarda. Marguerit o ensinou a falar francês (língua na qual seria alfabetizado por professores particulares) e, depois de três anos, levou-o para Marselha. Na cidade ensolarada do sul da França, Roberto concluiu o colegial e viveu até os 19 anos.
De volta ao Brasil, fez pedagogia e estagiou na mesma Febem onde permaneceu durante a infância. Foi lá que conheceu Alexandre, menor abandonado que acolheu em seu minúsculo apartamento. Em seguida, vieram Moisés, Kleber, Fábio... Atualmente, ele mora com doze "filhos", cujas idades variam de 10 a 25 anos, num casarão de quatro andares em Ibirité, na região metropolitana de Belo Horizonte. Todos estudam e os mais velhos também trabalham. Roberto, por sua vez, tira o sustento de sua facúndia. Desfia seu repertório de histórias, composto basicamente de lendas do folclore brasileiro, em festas, escolas e programas de rádio e de TV – as narrativas renderam até um CD e um vídeo. Na outra parte do tempo, roda o Brasil proferindo palestras em empresas do porte da Petrobras, Skol e Vale do Rio Doce. Roberto Carlos usa sua trajetória de vida para falar de motivação de pessoal e estratégias de produção.
Em seu lar incomum, a primeira regra é ter planos – a curto, médio e longo prazo. "Não importa se é comprar uma bicicleta ou fazer faculdade", explica ele. Seu plano de curto prazo? Casar com a enfermeira Marly, dando um final feliz a um namoro que já dura seis anos. A fórmula de Roberto Carlos para guiar seus meninos pela boa estrada é de uma simplicidade franciscana: carinho e educação. Esse binômio está na base das escolas que coordenará para a Fundação M. Officer. Nelas, os menores carentes serão levados a desenvolver suas principais aptidões, para que possam integrar-se como cidadãos plenos numa sociedade que tende a rejeitá-los. "Sou a prova de que não existe criança irrecuperável", diz ele. E acrescenta: "No mundo há os que choram e os que vendem lenços. Hoje, estou entre os que vendem lenços".
Assistimos ao filme “Clandestina Felicidade” e com a leitura compartilhada do texto: “Felicidade Clandestina” de Clarice Linspector:
"Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar… Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante."
Algumas obras:
- Elenco de cronistas modernos (Parte 2)
- A Cidade Sitiada
- Perdoando Deus (Conto da obra Felicidade clandestina)
- A legião estrangeira (Livro)
- Feliz Aniversário (Conto da obra "Laços de Família")
- A quinta história (Conto das obras Felicidade clandestina e A legião estrangeira)
- Laços de Família (Livro)
- A Hora da Estrela
- A Paixão Segundo G.H.
- Restos do Carnaval (Conto da obra Felicidade clandestina)
- Os desastres de Sofia (Conto das obras Felicidade clandestina e A legião estrangeira)
- A Maçã no Escuro
- Felicidade clandestina (Livro)
- Uma amizade sincera (Conto das obras Felicidade clandestina e A legião estrangeira)
Para encerrar apreciamos a literatura infantil “Mania de Explicação”- Adriana Falcão.

MANIA DE EXPLICAÇÃO
Era uma menina que gostava de inventar uma explicação para cada coisa.
Explicação é uma frase que se acha mais importante do que a palavra.
As pessoas até se irritavam, irritação é um alarme de carro que dispara bem no meio de seu peito, com aquela menina explicando o tempo todo o que a população inteira já sabia. Quando ela se dava conta, todo mundo tinha ido embora. Então ela ficava lá, explicando, sozinha.
Solidão é uma ilha com saudade de barco.
Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança pra acontecer de novo e não consegue.
Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.
Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer "eu deixo" é pouco.
Pouco é menos da metade.
Muito é quando os dedos da mão não são suficientes.
Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro de sua cabeça.
Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.
Agonia é quando o maestro de você se perde completamente. Preocupação é uma cola que não deixa o que não aconteceu ainda sair de seu pensamento.
Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.
Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.
Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.
Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.
Renúncia é um não que não queria ser ele.
Sucesso é quando você faz o que sempre fez só que todo mundo percebe.
Vaidade é um espelho onisciente, onipotente e onipresente. Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.
Orgulho é uma guarita entre você e o da frente.
Ansiedade é quando faltam cinco minutos sempre para o que quer que seja.
Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada especialmente.
Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.
Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.
Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.
Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.
Alegria é um bloco de Carnaval que não liga se não é fevereiro.
Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.
Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.
Decepção é quando você risca em algo ou em alguém um xis preto ou vermelho.
Desilusão é quando anoitece em você contra a vontade do dia.
Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia.
Perdão é quando o Natal acontece em maio, por exemplo.
Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo.
Excitação é quando os beijos estão desatinados pra sair de sua boca depressa.
Desatino é um desataque de prudência.
Prudência é um buraco de fechadura na porta do tempo.
Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.
Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.
Emoção é um tango que ainda não foi feito.
Ainda é quando a vontade está no meio do caminho.
Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.
Desejo é uma boca com sede.
Paixão é quando apesar da placa "perigo" o desejo vai e entra.
Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não. Amor é um exagero... Também não. É um desadoro... Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a menina.
Adriana FalcãoEra uma menina que gostava de inventar uma explicação para cada coisa.
Explicação é uma frase que se acha mais importante do que a palavra.
As pessoas até se irritavam, irritação é um alarme de carro que dispara bem no meio de seu peito, com aquela menina explicando o tempo todo o que a população inteira já sabia. Quando ela se dava conta, todo mundo tinha ido embora. Então ela ficava lá, explicando, sozinha.
Solidão é uma ilha com saudade de barco.
Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança pra acontecer de novo e não consegue.
Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.
Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer "eu deixo" é pouco.
Pouco é menos da metade.
Muito é quando os dedos da mão não são suficientes.
Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro de sua cabeça.
Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.
Agonia é quando o maestro de você se perde completamente. Preocupação é uma cola que não deixa o que não aconteceu ainda sair de seu pensamento.
Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.
Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.
Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.
Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.
Renúncia é um não que não queria ser ele.
Sucesso é quando você faz o que sempre fez só que todo mundo percebe.
Vaidade é um espelho onisciente, onipotente e onipresente. Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.
Orgulho é uma guarita entre você e o da frente.
Ansiedade é quando faltam cinco minutos sempre para o que quer que seja.
Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada especialmente.
Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.
Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.
Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.
Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.
Alegria é um bloco de Carnaval que não liga se não é fevereiro.
Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.
Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.
Decepção é quando você risca em algo ou em alguém um xis preto ou vermelho.
Desilusão é quando anoitece em você contra a vontade do dia.
Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia.
Perdão é quando o Natal acontece em maio, por exemplo.
Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo.
Excitação é quando os beijos estão desatinados pra sair de sua boca depressa.
Desatino é um desataque de prudência.
Prudência é um buraco de fechadura na porta do tempo.
Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.
Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.
Emoção é um tango que ainda não foi feito.
Ainda é quando a vontade está no meio do caminho.
Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.
Desejo é uma boca com sede.
Paixão é quando apesar da placa "perigo" o desejo vai e entra.
Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não. Amor é um exagero... Também não. É um desadoro... Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a menina.
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